"Eu no seu lugar sairia com os héteros mesmo, nem que for pra beber alguma coisa... melhor do que ficar em casa!"
"Se você também não der uma chance as coisas nunca acontecerão! Você tem se abrir mais..."
Essas são as frases recorrentes que eu tenho como réplica quando digo que não tenho amigos aqui em Portugal e o porque d'eu não sair. Sempre que me perguntam isso a primeira coisa que eu respondo é "ah, os portugueses são grossos demais, são muito fechados e não se abrem pra amizade". O que não é de certa forma uma verdade, mas também não é mentira. Digamos que seria uma meia-verdade.
Os portugueses são pessoas fechadas sim, que demoram pra confiar, porém quando a confiança é conquistada eles são amigos pra vida toda. Mas então porque você ainda não fez amizade, senhor Átila Rithiery?
Easy, eu simplesmente construí uma carapaça em torno de mim mesmo que simplesmente fica difícil alguém rompê-la. Contradizendo o que eu disse em um dos posts anteriores em que eu disse que "se a pessoa me diz 'bom dia' já se torna minha melhor amiga". Na verdade eu costumo, sim, ser simpático com as pessoas que se aproximam de mim, mas quando eu percebo que aqueles encontros casuais estão se tornando mais frequentes e que uma amizade poderá surgir eu simplesmente me afasto.
E os motivos são variados, o primeiro deles é a sexualidade: Se o cara for hétero já me murcha em 200%. Desculpa os héteros, eu adoro os héteros, mas eu simplesmente cheguei em uma fase da minha vida que eu não tenho mais paciência em fingir algo que eu não sou. Não consigo mais sair com um grupo de rapazes e fingir que acho linda a bunda da menina que passou pela gente. Porém se forem héteros, mas sabem que eu sou gay, aí a coisa já muda de figura! Não me importo, e até gosto de sair com héteros, contanto que me respeitem, assim como eu os respeito.
Já o segundo motivo é a convivência, eu trabalho em um lugar onde 500% das pessoas que frequentam são mulheres e em sua maioria de meia-idade, simplesmente não tem como eu conhecer pessoas em um local assim. Fato.
Mas felizmente as coisas estão mudando de figura, no meu curso de fotografia eu conheci pessoas bem legais, e todos já sabem da minha sexualidade e ao invés de mudarem comigo eles se abriram ainda mais. Já fui até mesmo em um jantar com a turma e me diverti pra caralho! E eles deram muitas risadas também, até porque um viado no meio dos héteros é como um palhaço no meio das crianças. Mas nenhum deles ainda se tornou meu amigo de verdade. Não por não ter coisas em comum, na verdade entra mais pro grupinho do segundo motivo: a convivência! O único lugar que eu os encontro é na sala de aula e cada um tem a sua vida, o seu trabalho e seus amigos fora dali.
Na realidade, o que eu sinto falta é daqueles amigos que eu tenho no Brasil, que me entendiam com um simples olhar e que a convivência era diária! Pessoas que tinham os mesmos interesses que eu, e que mesmo que não tivessem os mesmos gostos éramos capazes de debater e conversar sobre. Mas a distância também acaba por afastar as coisas, e cada um que ficou trás levou adiante sua vida e é bem capaz e terem se esquecido do rapaz magrelo que falava bobeiras e torrava sua grana em Açaí...
E em cena agora eu tenho os amigos da internet. Muitos colegas. Mas poucos amigos. Pessoas que eu gostaria MUITO que entrassem pra minha convivência real, mas que infelizmente não acontecerá tão cedo. Afinal, ainda não inventaram o teletransporte.
O fato é que, sim, eu sinto falta de ter amigos do meu lado, pra sair juntos e falar merda, rir, pregar peças, dançar... e mesmo não os tendo, eu dou valor naquelas que tenho, mesmo que estejam longe. Até porque quem ama, cuida. E se eu não cuidar desses eu to fudido e mal pago.